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Pudéssemos Nós Viver Tanto Quanto As Oliveiras



de Joaquim Leal e Maria Abrantes.
na Biblioteca de Marvila
de 27 nov a 30 dez 2020

"Abandonados!
Era o titulo deste projeto.
A Biblioteca de Marvila nasceu de um antigo lagar de azeite.
Abandonado!
Os migrantes que vieram para cá deixaram as oliveiras centenárias nas
suas aldeias, mas não as deixaram sós, ficaram lá também os velhos. Velhos e oliveiras, visitados de quando em vez, nas Festas e feriados com ponte.
Abandonados!
Isto foi o que senti, quando pelas aldeias adentro, viajei em 2008, para o
primeiro livro que fiz sobre o azeite. Onze anos depois, a vontade de retomar o tema, levou-me em busca de oliveiras centenárias. Diante de mim, ao longo de estradas e caminhos um cenário desolador.
Abandonado!
Isto não é de ontem, é de hoje, é também de amanhã. Vai continuar assim, as oliveiras cada vez mais centenárias, os velhos, cada vez mais sós, serão outros.
Este projeto não se assume como crítica, mas sim como alerta para o abandono.
Abandono que acontece no campo mas também nas grandes cidades.
Pensei este trabalho em termos de contraste:
um corpo jovem versus corpos velhos de oliveiras.
Vento, aldeias, campos e gentes são a matéria-prima deste projeto.
O vento é sinónimo de deserto, mas é com com ele que dançam as oliveiras e rodam as mós dos antigos lagares de azeite que ainda existem.
É ele que todos os anos por esta altura, fustiga as gentes que ainda ousam
varejar as velhas oliveiras.
É ao som dele e contra ele que atirando as azeitonas ao ar, estas se separam das folhas.
É, empurradas por ele que ao fim do dia, estas mesmas gentes transportam as azeitonas para o lagar, onde por prensagem, com as velhas mós cónicas de pedra, produzem uma massa que depois de decantada nasce na hora um saboroso azeite.
Vidas duras para velhos doridos!
Este fanzine é um diário fotográfico de todo o processo criativo e retrata a velha dança da apanha da azeitona alternando com a visão criativa e contemporânea da jovem Maria Abrantes".
Joaquim Leal

Este corpo ente, por Maria Abrantes
Rasgava com as mãos folhas em pedaços pequenos, juntava uns troncos partidos num vaso enferrujado e colocava este refogado de natureza a lume brando de um tijolo. Mexia o preparado com um pau comprido enquanto a mangueira, constantemente aberta, deixava a água pesada regar-me os pés e criar poças pelo jardim. Os cães apreciavam a companhia e bebiam dos novos lagos.
Ia passear pelo percurso sem trajeto, começava pela esquerda do cemitério e seguia os caminhos de terra. Comia amoras silvestres e roubava uvas. Fingia que me perdia e retomava o caminho de volta.
No campo o tempo tem outro tempo e os cães conversam entre aldeias pela noite fora.
A dança já existia, existe sempre, mas só a reconheci mais tarde.
Ao tentar perceber este corpo ente que se mexe numa existência concreta ou suposta, entendo como este não esquece, na brincadeira e na felicidade de movimentar, a poesia só possível em movimento.
Retrato constantemente estas recordações primordiais aliadas à dependência de ter plantas por perto. Procuro adaptar-me fisicamente a locais e objetos que me ensinem histórias que desconhecia. Reaprendo o meu corpo como forma expressiva e anseio que nunca deixe de ser esta brincadeira feliz entre cansaços e sensações.

Entrada livre.



[2020-11-27]
 

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Uma história tradicional por dia - S4
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