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Clube de Leitura Heureka
- A Gestão Política da Morte : de Antígona à Palestina -
28 de Janeiro de 2026 18:30 a 20:00
Entrada livre
O Heureka – Clube de Leitura retoma os trabalhos com um novo ciclo, de setembro de 2025 a junho de 2026, sob o tema ‘Acolher o Outro‘ (com organização de Ana Alexandra Alves de Sousa e Sandra Pereira Vinagre e direção de David Miranda).
- Integrado no ‘Ciclo XENIA – O estrangeiro, o Outro e a Hospitalidade’, o tema desta sessão é “A Gestão Política da Morte: de Antígona à Palestina“, por Sandra Pereira Vinagre (Investigadora do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).
A figura de Antígona tornou-se, ao longo dos séculos, um símbolo da resistência do indivíduo face ao poder autoritário, tornando-se uma narrativa fundadora da consciência cívica. No entanto, na tragédia de Sófocles, esse confronto nasce de um gesto simples e profundamente humano: dar sepultura ao irmão morto, contrariando a proibição do rei Creonte. É neste gesto que a tragédia revela a sua força, ao opor a lei da cidade a uma lei mais antiga, não escrita, ligada ao dever familiar e religioso.
A encenação de Antígona, dirigida por Adel Hakim com os actores do Teatro Nacional da Palestina, inscreve esta tragédia antiga no presente.
O gesto de Antígona encontra uma ressonância perturbadora na Palestina, onde, durante décadas, os corpos de palestinianos mortos não foram devolvidos às suas famílias por decisão do Estado de Israel. Enterrados anonimamente, em condições indignas, em locais isolados conhecidos como “cemitérios dos números”, estes corpos são privados de nome, de ritual e de luto.
Tal como Creonte recusa a Antígona o direito de sepultar o irmão, também aqui o poder decide sobre os mortos, procurando silenciar os vivos.
À luz do conceito de necropolítica, proposto por Achille Mbembe, o corpo insepulto surge como um lugar de disputa política e simbólica, o gesto de Antígona como uma forma de resistência, e o teatro como um espaço de denúncia. A tragédia recorda-nos que o direito ao luto é também um direito à humanidade, e que recusar esse direito é uma forma de apagar o outro.
Dinamização / Organização:
Coordenação:
- Alexandra Sousa
- Deng Yuanying
- José Alexandre Maurício
Dia 28 janeiro, pelas 18h30, na Biblioteca Palácio Galveias.
Entrada livre.
[imagem gráfica elaborada pela entidade dinamizadora da iniciativa]
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